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terça-feira, 12 de novembro de 2013

EXISTE ALGO PARA SE BUSCAR ALÉM DA ESPERANÇA? SE EXISTIR, ASSIM DESCONHEÇO...

"Em minha jornada diária, para casa ou de volta do trabalho, sinto-me ofegantemente tensa caminhando por uma via lapidada de casas e comércios! Meus pés se movem na velocidade de um trem! Minhas mãos se mantem trépidas em cima do calendário! O tempo voa, assim como os pássaros do céu, que me tranquilizam a tarde! O sol das cinco está fortíssimo, incendiando-nos com suas labaredas de fogo! As ruas estão um caus, lotadas de carros, ônibus, motocicletas e pedestres! Os corpos, que vejo passar à frente, são bem saudáveis, enquanto outros são tão desajeitados e tristes! De igual modo, ficam ocupando um mesmo espaço público, uma mesma avenida e os mesmos cacos de ruas! Em alguns, vejo suas imundícies e deficiências mendigando o pão ou alguns míseros trocados! Estão se autoflagelando publicamente! Misericórdia não basta para boicotar tamanha cena! É terrível! Que pouco caso! Que desconsideração! Se há esperança para nós, certamente haverá esperança para eles!
Posso estar convencida de suas feições murchas e suas latas vazias, mas isso não importa! Somos iguais! Temos os mesmos sentimentos, os mesmos pareceres e as mesmas necessidades básicas, assim como toda a humanidade modelada pelas mãos do Criador!
Será que ainda não perceberam que somos carnais como eles, um bando de humanoides a procura do bem e do mal?  Há uma inverdade nisso? Me corrijam.... 
Não quero ser ingrata, não quero ser rebelde e muito menos covarde! Por isso, aceno para alguns deles! A cena é comovente, mas os tais não me olham com atenção, tomando-me sem utilidade alguma! Melhor para mim, que tenho pressa em chegar antes das sete! Minha família já me espera e meu jantar pode ter esfriado! O fato é que, assim como eu, esses esmoleiros vivem buscando os mesmos propósitos que nós, e essa tal de esperança! Grande realidade!
Em meio trajeto, minha barriga fabrica bolhas! Tenho fome, tenho sede e urgência de alimento! Assim, mudo meu corpo de direção! No bar, há esperança para minha fome e para o meu porte engomado! Posso me servir de bebidas e me esbaldar nos salgados recheados, porque suo às custas do meu trabalho!
Na altura do meu recreio, insisto em não desviar o caminho! Meus pés estão como fogo, mas minha barriga encontra-se bem saciada! Não quero ir longe, não posso ir além, mas vou assim mesmo! Quero conhecer gente nova, aprender com as pessoas, saber o que se passa com elas!
Quero entender os jovens, que ainda não são maduros! Me embriagar com as crianças, de nostalgia, de júbilos e de planos! Quero aprender com os idosos, que tem conhecimentos profundos, para que eu saiba agir com sensatez e prudência! Eu tenho esse direito! Afinal, somos a correspondência perfeita de um todo! Somos iguaizinhos, tão imaturos e dotados de uma mesma excentricidade!
Não sou melhor que ninguém, mas, mesmo assim, devo me manter vigilante, acordada e alerta! O tempo me pede isso! Aliás, ele nos passa bastante apertado! Por isso, não notamos o que fizemos ontem e nem tampouco o que faremos no dia seguinte!
O amanhã é incerto, tanto para os que trazem riquezas quanto para os que pedem esmolas!
No entanto, se continuarmos andando em círculos, certamente não traremos grandes resultados! É a lógica de tudo! É a urgência do fato! Afinal de contas, não existe vacilos sem ousadias, e sim, escolhas erradas! Existirá, então, algo para se buscar além da esperança? Se existir, assim desconheço!..."
                                                Gláucia Cardoso